
Quando pensamos em mundos subaquáticos pensamos em água … água limpa, cristalina, incolor ou corada, mas o mais pura possível … pelo menos à luz do nosso olhar. Contudo a verdade é que a água dos nossos aquários é tudo menos isso. E ainda bem que assim o é …
Para a grande maioria dos aquaristas a principal fonte de água para os seus aquários é a que obtém por via dos serviços municipalizados, a qual se encontra adaptada ás necessidades de consumo humano (e à grande maioria dos animais terrestres) onde a presença de eletrólitos, sais minerais, metais pesados. compostos orgânicos e mesmo micro-organismos podem ser encontrados (os parâmetros permitidos na legislação portuguesa podem ser encontrado aqui e os serviços municipalizados costumam publicar com regularidade informação sobre a qualidade e propriedades da água que disponibilizam).
Contudo, pressupor que pelo fato de essa água possuir qualidade para consumo humano a mesma é, tal como se apresenta, indicada para uso nos nossos aquários pode ser um erro, pois para alguns dos peixes, invertebrados ou plantas esses valores podem ser tóxicos. Para outros os níveis desses componentes podem ser insuficientes para a sua subsistência. Entre os produtos mais nocivos para a vida aquática que encontramos na água municipalizada estão o cloro ou a cloramina, que são usados como desinfetantes, e os metais, sejam eles provenientes de da água original ou de canalizações antigas (daqui resultando a importância dos acondicionares que eliminam ou “aprisionam” este produtos).
Se atendermos ao que dizem muitos aquaristas “profissionais“, o ideal é começar com uma água o mais pura possível (normalmente uma água desmineralizada), à qual se adicionam sais minerais e oligoelementos destinados a criar/replicar as condições ideias para a vida dos habitantes desse aquário. Para o iniciante ou amador essa prática é uma utopia que importa para o seu hobbie uma complexidade que não entende pois implicam graus de conhecimentos, capacidades técnicas e financeiras que este não possui ou não percebe.
Independentemente da sua origem – canalizada, com origem em poços ou fontes naturais ou produzida artificialmente – a verdade é que a água que usamos é muito mais do que um simples meio onde os nossos peixes se passeiam. Ela condiciona a qualidade de vida dos mesmo e, em ultima instância, a sua possibilidade de sobrevivência.
E se, como atrás fica patente, ainda antes de entrar no aquário a água que lá colocamos é muito mais do que simples água, depois desse passo ele passa também a incorporar toda uma série de outros componentes – resultantes da degradação da comida que possamos introduzir, resultantes dos processos biológicos de peixes, plantas ou outros seres, etc. – que a transformam em algo muito complexa de avaliar.
No aquarismos (e não só…) este fenómeno é conhecido e avaliado por quem leva o hobbie de uma forma mais séria. Para alguns, os testes de TDS (Total Dissolved Solid) são uma ferramenta essencial para proporcionar aos seus animais o ambiente ideal para estes viverem. Para alguns peixes e para a maioria dos invertebrados chega mesmo a ser necessário adicionar à água soluções ou pós ricos em alguns elementos (cálcio é o mais comum mas também o sal e outros podem ser utilizados).
Para o aquarista “amador” ou “em início de carreira” este tipo de controle poderá não fazer muito sentido, mas é importante reter que o aspeto da água cristalino da água no aquário não é sinónimo de qualidade da mesma. O aspeto da água poderá variar consoante a foram como o aquário se encontrar concebido ou aquilo que contém (um aquário com correntes fortes terá mais tendência para ter partículas em suspensão, um aquário com muita madeira tenderá a ter aguas mais amareladas, etc.) sem que a qualidade da água seja particularmente afetada.
Já a qualidade da água é sobretudo resultado dos hábitos dos aquaristas. Neste sentido, muitas das vezes, é mais importante ganhar/incutir hábitos de correta preparação da água e de consistência na mudanças parciais de água do que investir em tecnologias e condicionadores (que baixam o pH, que elevam o pH, que adicionam isto, que eliminam aquilo…). Com excepção dos tais condicionadores destinados á preparação da água canalizada, á sobretudo na habilidade – no método, na observação, na dedução – do aquarista que a sopa onde os nossos peixes vivem mantém a sua qualidade.