
Quando se faz, atualmente, uma pesquisa num dos diversos motores de busca sobre os termo “decoração de aquários de água doce” somos bombardeados com uma quantidade estonteante de imagens que nos despertam a imaginação e a vontade de ter imediatamente algo parecido.
No meu caso, sendo um adepto acérrimo dos aquários plantados, esse mesmo sentimento acontece quando pesquiso pelo termo “aquascaping styles” onde uma miríade de imagens me deixa sempre a sonhar
Aquascaping é a terminologia internacionalmente utilizada para denominar a decoração de aquários utilizando somente materiais naturais (plantas, rochas, madeiras, folhas, substratos, etc. ) de uma forma esteticamente agradável para quem vê. Nalguns casos as apresentações são verdadeiras obra de arte e existem mesmo concursos onde alguns artistas competem por prémios e reconhecimento internacional
Um pouco à semelhança do que acontece noutras áreas, também na decoração de aquários existem se verificam evoluções e tendências que vão influenciando a perceção das normas que nos dizem (ou pelo menos tentam dizer … ) o que é bom, o que é mau, o que faz bem ou não tanto assim em cada momento.
No aquarismo moderno a grande tendência é o uso de materiais provenientes da natureza em detrimento dos acessórios decorativos artificiais. Não que exista algo de mal no uso destes últimos, mas a tentativa de reprodução da natureza, ou pelo menos do entendimento que muitos dela fazem, nos aquários parece ser a norma atual naquilo que internacionalmente se designa por “Nature Aquarium“, nos seus diversos estilos.
Para isso muito tem contribuído o aparecimento de uma industria que disponibiliza as mais diversas espécies de plantas em quantidade suficiente para proporcionar este tipo de atividade sem ter de explorar os recursos naturais (a grande maioria das plantas comercializadas são já produzidas em laboratórios ou viveiros) e o desenvolvimento tecnológico de alguns acessórios que permitem alcançar tais resultados.



Contudo é importante perceber que para obter resultados como os acima apresentados é preciso um investimento financeiro significativo, muitas das vezes incompatível com a carteira do aquarista médio ou que se está a iniciar. Mais, pese embora a beleza das imagens seja inquestionável, elas representam apenas um momento da vida desses aquários. momento esse que por vezes levou meses a preparar e cuja manutenção nem sempre é fácil.
Assim mais do que produzir um aquário para um momento, um concurso ou o like de um terceiro, é importante perceber que os aquários são sistemas em permanente evolução cuja velocidade e forma podemos tentar controlar, mas que, em ultima instância, são controlados pelas leis da natureza. Leis essas tentamos mimicar e em alguns caos controlar para a obtenção de um qualquer resultado.
Sendo este um texto sobre estilos não me alongo sobre as técnicas e desafios com que me deparei quando me tentei aproximar de alguns dos resultados que acima apresentei, mas antes nas razões que me levaram a afastar deles.
Pese embora a beleza a mestria, estes acabam por não representar aquilo que é a minha visão dos mundos aquáticos. Sempre que vejo estas imagens fico com a sensação de que para os seus autores as plantas são o centro da sua criação, sendo que os animais, a existir (porque nem sempre é necessário que existam), funcionam como aspeto secundário, decorativo ou, por vezes, em beneficio das plantas.
Ora é nesse aspeto que a minha visão do aquarismo diverge (e entenda-se que não estou a criticar os gostos e opções de outros). Para mim, tento que os aquários sejam ecossistemas centrados no bem estar dos animais. Não sou insensível à beleza das plantas, antes pelo contrário pois todos os meus aquários possuem plantas naturais (a maioria submersa, algumas já com porções emersas e flutuantes), mas é sobretudo nos aspetos utilitários (de filtração biológica, de proteção, etc.) que vejo o grande benefício da utilização de plantas em aquários.
Neste sentido topos os meus aquários estarão muito mais perto daquilo a que se convencionou chamar de aquário de biótopo, sem o rigor da replicação das condições exatas , os materiais exatos, as plantas exatas, etc.. E é nesta linha que grande parte da minha argumentação decorrerá num futuro próximo (ou pelo menos até eu evoluir para algo diferente).